"Escola para todos"
Todos sabemos que aprender a falar, a ler, a escrevere a contar é, com certeza, o desejo de todas as crianças e a aspiração de todos os pais. Mas se, por um lado, 80% das crianças são capazes de aprender sejam quais forem as estratégias que se usem, o mesmo já não se pode dizer das restantes 20%. Isto é, sem dúvida, uma realidade das Necessidades Especiais nas escolas portuguesas. Tem de haver colaboração entre educadores, professores, pais e alunos.
É preciso que percebamos que o puzzle maravilhoso que é uma criança só se completa se as nossas atitudes forem as correctas.
Com necessidades especiais pretendo dizer os alunos cujos problemas de aprendizagem se enquadrem num ou mais de três grupos essenciais: risco educacional, necessidades educativas especiais e sobredotação.
Talvez nunca se tenha falado tanto de qualidade na Educação como hoje em dia, sendo os desafios da sociedade cada vez maiores. A exigência por uma educação de qualidade é cada vez maior. Mas há vários aspectos a ter em conta antes de encontrar o melhor caminho para a conseguir.
É habitual dar conta que quando ouço falar, ou melhor, quando se usa a palavra qualidade no contexto da Educação ela associa a três representações que poderiam contribuir para uma melhoria da escola: uniformidade, a homogeneidade e a exigência. É esta trilogia de representações que passarei a comentar.
Uma escola mais uniforme;
Todos sabemos que aprender a falar, a ler, a escrevere a contar é, com certeza, o desejo de todas as crianças e a aspiração de todos os pais. Mas se, por um lado, 80% das crianças são capazes de aprender sejam quais forem as estratégias que se usem, o mesmo já não se pode dizer das restantes 20%. Isto é, sem dúvida, uma realidade das Necessidades Especiais nas escolas portuguesas. Tem de haver colaboração entre educadores, professores, pais e alunos.
É preciso que percebamos que o puzzle maravilhoso que é uma criança só se completa se as nossas atitudes forem as correctas.
Com necessidades especiais pretendo dizer os alunos cujos problemas de aprendizagem se enquadrem num ou mais de três grupos essenciais: risco educacional, necessidades educativas especiais e sobredotação.
Talvez nunca se tenha falado tanto de qualidade na Educação como hoje em dia, sendo os desafios da sociedade cada vez maiores. A exigência por uma educação de qualidade é cada vez maior. Mas há vários aspectos a ter em conta antes de encontrar o melhor caminho para a conseguir.
É habitual dar conta que quando ouço falar, ou melhor, quando se usa a palavra qualidade no contexto da Educação ela associa a três representações que poderiam contribuir para uma melhoria da escola: uniformidade, a homogeneidade e a exigência. É esta trilogia de representações que passarei a comentar.
Uma escola mais uniforme;
- Todos criticam a escola por ser demasiado flexível, pouco organizada e rigorosa com a programação. Mas, a nossa escola não é, assim tão flexível...Na minha perspectiva, não é tornar a escola mais uniforme, mas sim torná-la mais flexível, oferecendo modelos mais consentâneos com as necessidades e os interesses dos alunos.
Uma escola com alunos mais homogéneos;
- A bata ou bibe escolar e aorganização por classes permitiu alimentar a ilusão de que não havia diferenças na escola. Se existiam era mau sinal! O mito da homogeneidade continua a perseguir alguns professores, que se queixam frequentemente da heterogeneidade das suas turmas. Penso que se alguma vez existiram "essas" turmas homogéneas, estão em vias de extinção! Cada vez mais a escola é um "mosaico" de culturas, de apdidões e de condições de ensino e aprendizagem muito diferentes. A questão é se o ensino deve ser planeado para turmas concebidas como homogéneas ou deverá assumir que definitivamente a aprendizagem é para ser dinamizadacom grupos naturalmente heterogéneos?
Uma escola mais exigente
- É frequente ouvir-se: " no meu tempo é que havia qualidade... sabia-se mais na 4ª classe do que estes miúdos sabem agora no ciclo ou liceu..." Poderá fazer-se dois tipos de comentários a estas frases. Primeiro, todos sabemos que os alunos de hoje dispõem de um capital de informação muito maior do que há 30 ou 40 anos. De facto, o conhecimento pode ter diminuído em profundidade mas aumentou em "latitude". Hoje os alunos sabem mais do que os seus pais ou avós sabiam na mesma idade. Assim, não é por os alunos saberem menos que a escola tem menos qualidade. A escola deve ser exigente. Deve ser exigente com a inclusão, não desistindo de qualquer aluno, exigente com a aprendizagem, conseguindo criar um ambiente de responsabilidade, de rigor e de amor ao conhecimento.
A escola é uma parte importante da vida da criança e alicerce para as aprendizagens que se farão ao longo da vida.






4 Comments:
Cristina, na verdade penso ser muito pertinente as tuas dúvidas em relação à trilogia que se ouve tantas vezes falar como sendo uma receita milagrosa que de repente vai mudar tudo no ensino. Não acredito, que o sucesso das aprendizagens no ensino se prenda, com a sua uniformização, aliás penso poder ser uma mais valia o ajustamento dos programas aos contextos em que a escola se insere. Isto não quer dizer que se desvalorize a organização ou o rigor das tão faladas competências que hoje se espera que os alunos possuam no encontro daquilo que se espera deles no futuro e na construção de um mundo melhor. Aqui penso que a Geografia tem um dos cernes do seu grande valor formativo. Antes é exigir de nós todos um pensamento mais reflexivo quanto a estas problemáticas, em vez de simplesmente obedecer-mos a programas rígidos que não valorizam a construção de pensamentos mais críticos.
Não deve e não pode ser tudo aquilo que se passa fora da escola, ignorado por ela. A escola insere-se num meio que interfere com ela, e por isso com os seus discentes e docentes. É fundamental, o conhecimento destes condicionalismos, é fundamental vê-la contextualizada com o mundo e com tudo que a influência. Certamente não fará sentido tomar a escola como coisa isolada, sólida e rígida.
Quanto à homogeneidade das turmas, penso que tal como tu referes, hoje não existem. Basta atendermos então ao mundo em que vivemos. E ainda bem! Aliás nem sequer penso que o insucesso escolar possa se prender com o facto de as turmas não obedecerem a estes critérios, antes vejo isso como uma mais valia. O contacto com culturas diferentes, representações diferentes, experiências diferentes, contextos familiares diferentes, é seguramente um contributo para crescermos nós enquanto docentes e eles enquanto discentes.
A exigência que tantas vezes se diz que se perdeu é confundida com o papaguear de conteúdos tão frequente na escola dos nossos avós, e que hoje ainda acontecem. Veja-se nos programas de Geografia que foi tantas vezes valorizaram, conceitos e nomes que se decoravam e facilmente se esqueciam, ao invés de entende-los integrados nos seus contextos adequados.
Também acredito numa escola para todos!!
Fiquem bem!
Bárbara
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A educação é um assunto que vem levantando uma polémica crescente, pois ao contrário do que acontecia num passado recente a escolaridade passou a ser obrigatória até ao nono ano. Actualmente com a rápida difusão das tecnologias de informação saber ler passou a ser uma necessidade que as pessoas não abdicam.
Nos dias de hoje e com o progressivo aumento de escolaridade obrigatória houve o aumento do número de alunos nas escolas e um consequente aumento multicultural. Este é um facto interessante que realça o desenvolvimento que o país tem tido nos últimos anos, no entanto abarca também um conjunto de características negativas ou novas que convém salientar. À cerca de quinze vinte anos o acesso ao ensino estava apenas ao alcance de quem tinha posses financeiras, actualmente há alunos de todos os géneros o que provoca que os professores se tenham de adaptar às mudanças. Muitas vezes os professores não se sentem capazes de lidar com alunos com dificuldades de aprendizagem, eu neste caso referi a realização de acções de formação onde seja facultado aos professores os métodos mais indicados para lidar com alunos com deficiência.
Eu em relação aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) acho que eles não devem ser isolados dos restantes alunos, isto é não devem ser colocados em turmas homogéneas pois isso só os vais desmotivar, visto que assim eles percebem que são diferentes e que estão num patamar inferior. Este tipo de alunos na minha opinião devem ser constantemente incentivados mesmo que tenham feito uma coisa que para uma pessoa normal é muito fácil. Só assim estes alunos podem progredir em termos de aprendizagem.
Numa educação cada vez mais complexa é necessário a adaptação às novas realidades só assim é possível que a educação esteja ao alcance de um número cada vez maior de pessoas.
Tiago
Como diz a Cristina, "A escola é uma parte importante da vida da criança e alicerce para as aprendizagens que se farão ao longo da vida", mas mais do que isso, a escola é o reflexo da nossa sociedade e dos valores que a regem. Falar numa escola para todos exige uma interiorização real de valores de igualdade e de inclusão, pelo que a prática de uma escola inclusiva deveria surgir de uma forma espontânea, se estes princípios estivessem enraizados na nossa sociedade.
Será a escola um reflexo da nossa sociedade e da comunidade em que se insere, funcionando assim como uma "réplica" à escala escolar, ou poderá a escola constituir-se como agente de mudança nas representações e nos valores da sociedade?
Será perfeita a trilogia que referes? Ideologicamente até pode estar correcta mas, na prática, está longe de conseguir ser implementada na plenitude dos seus pressupostos. É necessário que se deixe definitivante a ideia de que a escola só serve para ensinar e se abrace uma postura mais humana e socializada, de que a escola pode e deve ensinar pensando em integrar. Neste sentido, julgo que deve procurar ir sempre de encontro às necessidades e prioridades dos alunos, algo a que não procurou responder verdadeiramente no passado. A uniformidade só dará lugar à homogeneidade dentro da escola quando o conceito de igualdade for respeitado, quando todos os alunos forem tratados com o mesmo respeito e com a mesma dignidade, tendo acesso às mesmas oportunidades de ensino. Nestes termos poderemos falar em verdadeira homogeneidade. Se na prática, esta se traduzir num ensino que procura integrar mas que ao mesmo tempo segrega os alunos segundo as suas capacidades, etnias e origem social, então de pouco servirá. Não basta acabar com a turma dos bons, a turma dos fracos, a turma dos problemáticos, a turma dos apoios, a turma dos ciganos, entre outras, se no fundo não os vamos incluir verdadeiramente no ensino.
Se houver heterogeneidade na forma como se olha para o aluno, então será difícil conseguir uma escola homogénea.
Acredito também que a escola deve ser exigente com os alunos. Mas em contrapartida, deve dar um pouco mais de si mesma, humanizando as relações e adaptando-se às mudanças da sociedade. Não precisamos mais de uma escola em que se ensine "em quantidade", precisamos de uma escola em que se ensine "com qualidade", em que se valorizem as competências que os alunos, mais tarde, precisarão de saber mostrar no seu dia-a-dia. Precisamos da escola do "saber fazer" e do "saber estar", uma escola que prepare homens e mulheres para o futuro.
Os alunos de hoje serão os membros influentes da comunidade de amanhã, e se forem habituados a conviver e a partilhar experiências com todas as crianças, respeitando as diferenças e as necessidades especiais de cada um, talvez tenhamos uma sociedade mais justa e mais tolerante. Uma escola para todos implica a adesão de todos!
Luís
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