
Olá a todos.
Resolvi tratar um assunto que anda na ordem do dia, devido a extinção (num futuro não muito longínquo) dos combustíveis fosseis, em particular do petróleo que é o motor da nossa economia ocidental. Penso ate que a próxima guerra será entre os EUA e o Irão, dado que este ultimo esta a pensar negociar o petróleo em euros, abrindo um precedente ameaçador à hegemonia americana dos "petrodolares", que são actualmente o sustento da economia americana (http://www.energybulletin.net/7707.html).
Em função destes problema de escassez energética e do aumento da procura e consumo de energia a nível global devido ao crescimento industrial dos BRIC (Brasil , Rússia, Índia, China), começa-se a falar cada vez mais de energias alternativas ou de diferentes formas de responder á demanda energética. Surge a ideia da energia nuclear como a melhor forma de colmatar estas exigências a grande escala, pois é o meio que permite maior produção de energia em kWh.
Em Portugal também se voltou a discutir a matéria (depois de uma acérrima discussão em finais da década de 70 quando se pretendia construir uma central nuclear em Peniche), quando Patrick Monteiro de Barros propôs em Fevereiro de 2006, a construção de uma central no nosso território.
Sou favorável à sua implementação e por isso deixo aqui algumas razoes que me levam a considerar tal decisão benéfica para o nosso país.
Vantagens do Nuclear para Portugal:
É fiável.
Os custos são semelhantes aos da produção de energia através de carvão.
Produz grandes quantidades de energia com pouco combustível, que até é relativamente barato e neste aspecto é imbatível (para termos uma ideia, um kg de carvao produz 3 a 4 kWh e um kg de urânio produz 50000 kWh).
Produz pouca quantidade de desperdício.
Não produz fumo ou dióxido de carbono por isso, não aumenta o efeito de estufa.
Portugal tem minerais de urânio no seu território.
Fácil de transportar.
Dependência energética fica atenuada em relação a países exportadores. resolvendo-se assim mais facilmente problemas como picos de corrente.
Prestigiante para a nação e ao mesmo tempo pode servir de motor ao desenvolvimento de actividades cientificas dado ser necessário mão de obra qualificada para a manutenção.
Será desenvolvida maioritariamente por grupos privados pelo que a rentabilização será mais eficiente.
Ocupa pouco espaço e não produz poluição visual (para termos uma ideia a construção de uma central de energia capaz de produzir 1000 Mw necessita de 1 a 4 km2 se for nuclear ou a carvão, 20 a 50 km2 (tamanho de uma cidade pequena) se for de energia solar, 50 a 150 km2 se for de energia eólica e 4000 a 6000 km2 (tamanho de uma província) se for de biomassa).
Permite cumprir o Protocolo de Quioto
Pode permitir até a exportação de Energia para outros países.
Será assim do interesse de Portugal aproveitar as vantagens desta energia e também aqui, seguir o exemplo da Finlândia, que recentemente decidiu abrir uma nova central no seu território. Quanto aos riscos envolvidos são realmente consideráveis se existir má manutenção e desleixe,. como em muitas actividades industriais, no entanto, convém lembrar que Chernobyl, foi um teste que correu mal porque foram desligadas as medidas de segurança automáticas. Espanha tem duas centrais junto da nossa fronteira (uma perto do inicio do Tejo Espanhol) e importa um terço da energia produzida nas suas centrais para Portugal, por isso, corremos riscos sem benefícios como diz Patrick Monteiro de Barros.Não quero com isto demonstrar que o caminho é construir centrais nucleares, apenas que é uma solução tão ou mais válida que as outras energias alternativas que, actualmente ainda não são rentáveis. Esperemos que a sociedade debata o tema e caso venha a ser aprovado. O problema da localização irá ser uma reedição de Souselas mas, penso que desta vez, a haver projecto, será edificado junto à fronteira do Tejo, do Guadiana ou do Douro, devido à necessidade de refrigerar o reactor. Até as centrais de fusão nuclear atingirem o breakeven... que venha a fissão nuclear!
Francisco Vilão Morgado

4 Comments:
Com o desenvolvimento tecnológico, com a industrialização crescente e com o aumento da população, as sociedades modernas passaram a consumir, de maneira excessiva, energia eléctrica. Quer seja no uso exagerado de aparelhos domésticos, quer seja em artigos destinados ao conforto, bem-estar, etc. todos, sem excepção, utilizam energia eléctrica sem ter conhecimento da origem e das possibilidades futuras de escassez da mesma.
Com isto, torna-se necessário conhecer e desenvolver novos meios de obtenção de energia e desmistificar o mito de que a energia nuclear é danosa e perigosa ao meio ambiente e à saúde da população.
Para isso contribuiu o Francisco, apresentando algumas das vantagens da energia nuclear. Contudo, penso que não deveremos ficar apenas pelas vantagens deste tipo de energia. Assim, achei necessário deixar aqui algumas das desvantagens para que se possa fazer uma comparação entre os riscos e os benefícios.
Desvantagens:
É a fonte de maior custo por causa dos sistemas de emergência, de contenção, de resíduo radioactivo e de armazenamento
Requer uma solução a longo prazo para os resíduos armazenados em alto nível na maioria dos países
Proliferação nuclear potencial
Um dos principais argumentos utilizados pelos defensores das usinas nucleares é o seu baixo nível de poluição do ambiente. Contudo, os testes já realizados pela Greenpeace, envolvendo o destino do lixo nuclear, são insatisfatórios. É necessário ponderar bastante, afim de não acontecerem novos casos como o de Chernobyl. A maneira como se deu a construção de Chernobyl conteria erros causadores da explosão. O reactor é o "coração" de uma usina nuclear. Nele reside todo o eventual perigo. O reactor de Chernobyl estava situado num simples galpão industrial, sem quaisquer protecções, e portanto, incapaz de conter uma possível emissão de gases. Não se pode negar o erro fatal de segurança que envolveu a construção de Chernobyl.
Será que não podem vir ser cometidos novos erros fatais?
Ricardo Santos
A nossa dependencia energética situa-se essencialmente em dois niveis: Transportes e Habitação.
Foi neste dois sectores que os consumos dispararam , em relação às previsões de Quioto para o nosso País.
Antes de pensar em soluções que implicam riscos incomensuráveis seria de explorar primeiro as diversas soluções possiveis e complementares apresentadas pelas chamadas energias renováveis, numa optica de desenvolvimento sustentável.
Porque digo que os riscos são enormes tem a ver, por exemplo, com o eterno problema dos residuos nucleares. "Aterros, fundo do mar, solos ou outros buracos", nada diminui a enorme perigosidade e longevidade radioactiva dos residuos e com o alastrar da insegurança provocada pelas alterações climáticas, quem pode dizer que o lugar X é 100% seguro?
Dá mais trabalho, mas educar para poupar, construir casas que desperdicem menos, usar transportes mais amigos do ambiente, tudo isso é sinal de mais e melhor cidadania e de respeito pelas actuais e futuras gerações.
Vejam o tamanho absurdo que tem a nossa "pegada ecológica".
Podem explorar o conceito mas o resultado fundamental é de que seriam necessários 3 planetas terra para "sustentar" a humanidade, se todos consumissem como os Europeus. E se fossemos todos Americanos ainda era pior!
Cristina
Francisco entendo as mais valias que pretendes mostar quanto às utilizações da Energia nuclear, principalmente num contexto económico. Quero com isto só deixar uma ideia. Não será um retrocesso ao nível do desenvolvimento? Se é certo que o dinheiro é necessário para o conseguir, não penso ser essa a base valorativa do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÀVEL.
Abraço!!
Bárbara
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